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August 16 me mudeitá, gente. me mudei mesmo. por favor, atualizem seus links.
fui pro uol. estou neste endereço. meus quatro leitores aprovaram, e lá fui eu. antes com quatro leitores que interagem, que piando ao relento, sozinha, abandonada, com frio e sede.
espero todo mundo lá. piu. sei lá, entende?tá, frangalhada. cansei de gente buzinando no meu ouvidinho que é muito chato comentar neste blog. estou fazendo novas tentativas, pra ver se os amigos se animam a interagir. criei um blog tosco (tosco, tosco, tosco, muito tosco) no UOL. passem lá e vejam se a preguiça acaba. se acharem que rola, eu me mudo de mala e cuia. e bomba. e saquinho de milho. e coçador de penas. piu.
August 14 ai, Dudaa coluna de Luís Nassif, na Folha de hoje, dá a melhor definição da patética ingenuidade de Duda Mendonça:
"O marqueteiro vitorioso, o homem que serviu de Paulo Maluf a Lula, que foi remunerado pelo esquema Pau-Brasil e pelo esquema Delúbio, nunca ouviu falar de empresas "offshore" nem sabe como faz para trazer o dinheiro para o país. Parece a virgem que foi estuprada pelo tarado três dias seguidos, na mesma hora e lugar."
exatamente. piu.
Luciangosto muito de Lucian Freud. e vejo que o museu Correr, em Veneza, expõe agora 90 obras dele.
às vezes a vida não é muito justa. tem gente que gasta milhares de dólares em uma bolsa ridícula, enquanto eu não posso ir a Veneza ver o que gosto. mau humor é meu nome do meio. o avião de Chiprenossa. a história do avião que caiu na Grécia é digna de um filme de terror. ou, claro, se o cara for muito cretino, digna de um filme pastelão.
parece que todos morreram congelados antes de o avião bater na montanha. "Spiros Vutas disse que recebeu uma mensagem de texto de seu primo, Nikos Petridis, em que este se despedia e dizia que todos estavam com muito frio e que o piloto e o co-piloto estavam congelados." uau.
segundo a matéria, o avião tinha "um histórico" de danos e consertos no sistema de calefação e pressurização. ah, que bom. taí um daqueles nomes de companhia aérea que a gente precisa guardar, pra nunca usar: Helios.
esquizofreniaeu sempre volto, e volto, e volto ao Museu do Inconsciente. porque a esquizofrenia produz coisas belas. e porque o mundo é mais longo do que alcançam os nossos passos.
August 13 lindinhosmanoelitoO sentido normal das palavras não faz bem ao poema.
Há que se dar um gosto incasto aos termos.
Haver com eles um relacionamento voluptuoso.
Talvez corrompê-los até a quimera.
Escurecer as relações entre os termos em vez de aclará-los.
Não existir mais rei nem regências.
Uma certa liberdade com a luxúria convém.
[Manoel de Barros]
fora da little housecomeça a temporada da defesa fora da casinha do governo. o companheiro Hugo Tchávez é o porta-voz de hoje. segundo a Folha de São Paulo, ele comparou Lula a "um potro disposto a percorrer as ruas do Brasil". fiquei imaginando a cena.
Tchávez também deu uma pequena aula de má retórica: "Hoje, amanhã, depois de amanhã, arremetem contra homens como Lula setores diferentes para tentar reduzi-lo, para tentar rendê-lo, para tentar quebrá-lo, mas homens como Lula não se quebram nem se rendem".
sempre detestei Hugo Chávez e nunca compreendi a defesa inflamada que muitos petistas de ocasião faziam dele. gente que tocava no CD do carro musiquinhas de louvação ao populista. aliás, foram muitas as divergências, porque acho que o apoio que o PT deu a Chávez não condizia com a trajetória histórica do partido. mas agora preciso dar a mão à palmatória: era o próprio PT que não condizia mais com sua trajetória histórica. e o inchaço do partido com os petistas de ocasião, que de esquerda só sabiam que era a mão do canhoto, deu no que deu.
um potro correndo pelas ruas do Brasil. deixa eu sair da frente. piu.
August 12 fulananunca vou entender a humanidade. o cara rompe o noivado, a mulher fica furiosa e o processa. e ele é condenado a pagar uma indenização à humilhada. valor: R$ 6.233,29.
bom, aí a gente vai ver a história. a humilhada é uma advogada, of course. que namorou o azarado durante "dois anos, dois meses e 15 dias", recebeu um fora por telefone e ficou, digamos, chateada porque já tinha feito gastos com a festa de casamento e o vestido.
o melhor é o texto do jornal "O Sul" que conta a ladainha. o lide é uma pérola: "Os 6.233,29 reais que Fulana* ganhou semana passada de indenização do ex-noivo, condenado por ter desistido de subir ao altar com ela, não curam as feridas em seu coração". Wando daria uma boa trilha para essa parte.
e a coisa só melhora. "Lá se vão pouco mais de três anos desde que, em um telefonema, Beltrano* colocou um ponto final no sonho da moça, sem dar qualquer explicação". a idade da moça? no quarto parágrafo, descobrimos que, quando do fora (mas que tal o estilo da pinta), a mocinha tinha 34 anos. tadinha.
e, como naquelas propagandas que vendem tudo pela TV, eu digo "e não é só isso!!! tem mais!!!!". a descrição da mocinha pede uma patifaria. patifemos, patifemos. "é uma mulher de muito charme, de cabelos pretos e lisos e de pele bem cuidada. Usando um impecável terninho branco, seus 56 quilos ficaram perfeitamente distribuídos em 1,63 metro de altura". ufa. ainda bem que eles não ficaram embolados na batata da perna.
bah, seu Beltrano. imagina "se". piu.
* antes que Fulana me processe e Beltrano se apaixone.
o suuuuuultoda vez que eu ouço aquela musiquinha que diz "o melhor jornal do rio grande do suuuuul, leia O Suuul...", eu penso que pessoas que mentem assim deviam ser presas.
mas chega de papo furado e vamos aos nossos lindos, longos e sempre pontuados títulos do, ai meu deus, nunca vou dizer isso sem rir, melhor jornal do rio grande do suuuuul. todos são de manchetes, lembremos.
è Saiba como funciona o Toyota híbrido, sensação mundial que está na capital gaúcha, ponto
Germano Rigotto busca hoje, em Brasília, entendimento para resolver o caos da BR-116, ponto
Entre os que combatem no Iraque, 10.500 casamentos terminaram em divórcio, ponto
Quando a dor não é só sintoma, mas doença, ponto
Ronaldinho Gaúcho será nomeado embaixador da ONU contra a fome, ponto
Inter volta a jogar muito mal e só empata com o Corinthians dentro do Beira-Rio, ponto
è
e o prêmio título fora da casinha de hoje vai para:
Al Qaeda volta a ameaçar Estados Unidos em novo vídeo gravado pela primeira vez em inglês fluente, ponto piu.
Velhinhas de Taubatégente, fica cada vez melhor. as risadas pululam a cada nova matéria que leio. sim, porque no começo da crise eu fiquei chateada. depois comecei a dar risinhos nervosos, tipo "e agora, vou votar em quem?". o atual estágio é das gargalhadas mesmo. é incontrolável. talvez eu precise ser internada.
"Já trabalhando com a hipótese de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva enfrentar um processo de impeachment, o comando do PT convocou os movimentos sociais, sua base histórica, para ir às ruas em defesa de seu mandato." hahahaha... fantástico.
não sei se me "equivoco", como diria o ex-vice-presidente da CPI do Mensalão, mas até onde eu sei as bases históricas não foram consultadas sobre a corrupção, a compra de votos, o desvio de dinheiro de estatais, o caixa dois que se esparrama por todos os lados, o enriquecimento do filho do Lula e as contas no exterior.
parece que um exército de Velhinhas de Taubaté já está programando uma passeata para defender o presidente que de nada sabia. piu.
companheiro tchávezLula recebeu ontem Hugo Chávez para jantar. "Até a meia-noite, os dois continuavam reunidos na Granja do Torto", diz a Folha.
ah, tá. agora vai. piu.
também sintoe então o ex-tesoureiro do PL que vai ser chamado a depor na CPI do Mensalão se chama Jacinto Lamas. como diz o Zé Simão, este é o país da piada pronta. piu.
August 09 ...sorte no jogo
azar no amor
de que me serve
sorte no amor
se o amor é um jogo
e o jogo não é meu forte,
meu amor?
[Paulo Leminski]
tri importantedepois de uns dias fora, nada como voltar e reencontrar o nosso velho e bom jornalismo, com as informações que mostram o que realmente é importante neste mundo. os nossos queridos títulos bestas para matérias inúteis.
S Silvia Abravanel escolhe quarto de seu bebê
Oscar Magrini e Nicola Siri se encontram na noite
Jennifer Lopez passeia por Beverly Hills
Filho de Angelina Jolie completa quatro anos
Debby Lagranha vai às compras
Victoria Beckham não está satisfeita com seu visual
Johnny Depp faz voz de Willy Wonka para sua filha
Luciana Gimenez se diverte em loja de brinquedos
Fernanda Lima não quer entrar no orkut
peruca estilosaontem uma bela mulher me ensinou como se usa uma peruca. de cabelos naturais, faz favor. bem moderna, faz favor. porque nem toda quimioterapia do mundo consegue esculhambar uma mulher bonita que tem estilo.
na verdade, o que tenho aprendido com ela é praticamente indizível. é sobre o tempo, os afetos, os abraços e o poder de rir até doer a barriga. é sobre a vida.
até tu?no Brasil a gente já está tão acostumado com a corrupção, que se começa a gritar "opa, epa, opa" apenas quando as taxas ficam alarmantes. ou seja: se você não for totalmente esganado, nunca será pego. fulano e beltrano vão saber, alguém vai comentar, mas fica por aí e você enriquece sem maiores problemas do que, talvez, ter que molhar a mão do fulano e do beltrano.
e então leio hoje que diretores da ONU estão sendo acusados de desviar cerca de 21 bilhões de dólares, no comando de um projeto que durou 8 anos e permitia ao Iraque vender petróleo, desde que o dinheiro fosse gasto com comida e remédios para o povo iraquiano.
primeiro o PT, agora a ONU. neste ritmo, em breve vamos descobrir que a Madre Teresa de Calcutá tinha um caso sado-masoquista com um rabino ou algo assim. piu. August 05 quarta colôniaaté terça não devo atualizar o blog. tá, eu sei que não venho me dedicando a ele. fazer o quê, se a vida me demanda? (pra combinar com a frase patife, ouçamos ao fundo, sei lá, vamos pensar, um Wando qualquer.)
vou para Santa Maria ver a família trapo e comer um churrasco assado pelo Ruben. levo amigos mais do que especiais, pessoas que são uma segunda família. (tá, pra essa frase podemos chutar aí um Richard Clayderman supimpa como trilha.)
como a estrada é sempre uma grande opção, vou mostrar a eles a beleza da Quarta Colônia: Polêsine, Silveira Martins, o distrito de Vale Vêneto. só lamento não ficar pra dar um abraço na Carlinha. mas na volta minha e na volta dela, comemoramos. porque aniversário bom é aniversário que dura uma semana.
piu.
August 03 raposae então o escândalo do governo chega ao presidente da Casa da Moeda.
como diz o José Simão, este é mesmo o país da piada pronta.
August 01 the noseo que fizeram com meu queridinho. meu deus. meu deus. meu deus.
tá, vou ver o filme assim mesmo. protestando, mas vou.
gosmasó pra deixar claro que eu odeio este calor. em um verão normal eu já odeio. no início de agosto, então, eu odeio muito. porque além de tudo sempre tem alguém que acha que ainda não estamos derretendo o suficiente para ligar o ar condicionado. e que o mundo é mais bonito com todo mundo escorrendo, mesmo que seja o cérebro. que meigo.
36 graus em Porto Alegre. como se já não bastasse agosto ser o mês do cachorro louco.
e não encosta. piu.
sangue e borboletinhasafinal, por que as pessoas fazem mestrado e doutorado? por que pesquisam?
assim, sem considerar as especificidades de cada área, de modo muito genérico, irresponsável e nada científico, eu diria que nem todo mundo tem talento e vocação para ser pesquisador. e que a crise do mercado profissional tem empurrado para a vida acadêmica pessoas que não estão preparadas para ela, que não lhe dão valor e não a reconhecem em sua grandeza.
para ser um pesquisador, é necessário ter espirito científico. ser curioso, antes de qualquer coisa. mas não falo do curioso rasteiro que quer a respostinha prontinha para sua perguntinha, e logo se entedia e vai atrás de uma outra coisinha para satisfazer suas pequeninas e descartáveis curiosidades sobre a vida. não. deste tipo, o mundo está cheio. o mundo acadêmico, inclusive. basta de "pesquisadores" rasteiros e ansiosos por novas respostinhas prontinhas que possam citar em suas exibições tituladas.
ser curioso é ter dúvidas. incertezas. perguntar sobre algo. não sobre qualquer algo, mas sobre algo: relevante, consistente, importante. observar o ritmo constante do universo e perceber o que está acontecendo. ter sensibilidade para as pequenas nuances. ser capaz de suspender a respiração por um precioso instante (ao contrário dos falsos curiosos, cuja respiração é sempre ofegante). para ser pesquisador, é preciso ter a paciência de um monge e a quietude de um buda.
paradoxalmente, é preciso ser autônomo, enérgico, vital, criativo, com grande poder de iniciativa. propor soluções, pensar estratégias, imaginar hipóteses. criar problemas, pensar métodos que permitam resolvê-los, traçar objetivos, projetar resultados. é preciso ter sangue circulando nas veias. o estômago repleto de borboletinhas.
acima de tudo trabalhar, trabalhar, trabalhar. o trabalho é duro, é árduo, é lento. só dá frutos depois de muito tempo. é preciso suportar as frustrações e aprender a lidar com um tempo diferente do usual. é um tempo estendido, mas um tempo que acaba. ele é ao mesmo tempo tão longo e tão curto, que chega a ser desconcertante.
é preciso querer mais do que o título de mestre ou doutor. é preciso querer saber. amar os sebos, as livrarias, as bibliotecas. invejar os saberes alheios e admirá-los. querer mais e mais e mais. perder a respiração, de tão pouco que se sabe. sentir-se um inseto, de tão pouco que se sabe. ter um prazer indescritível em debater, defender uma idéia, aprimorar os argumentos. convencer e deixar-se convencer. deleitar-se ao reverenciar o interlocutor por uma jogada brilhante.
honestamente, não entendo quem abre mão de tudo isso apenas pelo título. não entendo quem concentra toda sua energia na reta de chegada, no título de mestre ou doutor, sem se importar com o processo.
entendo menos ainda quem acha que isso tudo "vem" com o título. não, não vem. a maturidade, o prazer de compartilhar, a energia para trabalhar, a imaginação para criar, a sensibilidade não são presentinhos que alguém possa oferecer às pessoas curiosinhas que gostam de respostinhas prontinhas. sangue nas veias e borboletinhas vibrando no estômago não estão à venda.
badalar é cafonajuro que estou tentando não fazer mais estes posts de títulos bestas para matérias inúteis. mas a realidade me derrota a cada dia. é como encontrar um ponto de distribuição de inutilidade a cada esquina. e ainda insistem nos clichês cafonas.
é desumano. uma personalidade fraca como a minha não consegue resistir a tanta oferta. piu.
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July 30 irreconhecíveldefinir-se como força.
conhecer o outro como força.
S Estou preso nesta contradição: de um lado, creio conhecer o outro melhor do que ninguém e afirmo isso triunfalmente a ele ("Eu te conheço. Só eu te conheço bem!"); e, por outro lado, sou freqüentemente assaltado por essa evidência: o outro é impenetrável, raro, intratável; não posso abri-lo, chegar até a sua origem, desfazer o enigma. De onde ele vem? Quem é ele? Por mais que eu me esforce não o saberei nunca.
(De todos aqueles que eu conhecera, X... era certamente o mais impenetrável. Isso porque não se sabia nada sobre o seu desejo: conhecer alguém não é apenas isso: conhecer seu desejo? Eu sabia tudo, imediatamente, sobre os desejos de Y...: ele era como "um gato escondido com o rabo de fora", e eu ficava inclinado a amá-lo não mais com terror, mas com indulgência, como uma mãe ama seu filho.)
Reviravolta: "Não consigo te conhecer" quer dizer: "Nunca saberei o que você pensa verdadeiramente de mim". Não posso decifrar você, porque não sei como você me decifra.
Se desgastar, se esforçar por um objeto impenetrável é pura religião. Fazer do outro um enigma insolúvel do qual depende minha vida é consagrá-lo como deus; não decifrarei nunca a pergunta que ele me faz, o enamorado não é Édipo. Só me resta então converter minha ignorância em verdade. Não é verdade que quanto mais se ama, mais se compreende; o que a ação amorosa consegue de mim é apenas uma sabedoria: não tenho que conhecer o outro; sua opacidade não é de modo algum a tela de um segredo, mas sim uma espécie de evidência, na qual fica abolido o jogo da aparência e do ser. Experimento então essa exaltação de amar profundamente um desconhecido, que o será sempre: movimento místico: tenho acesso ao conhecimento do desconhecido.
Ou ainda: ao invés de querer definir o outro ("O que é que ele é?"), me volto para mim mesmo: "O que é que eu quero, eu que quero te conhecer?". O que aconteceria se eu quisesse te definir como uma força, e não como uma pessoa? E se eu me situasse como uma outra força diante da tua força? Aconteceria o seguinte: meu outro se definiria apenas pelo sofrimento ou pelo prazer que ele me dá.
[Roland Barthes] |
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