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July 29 o hipopotamozinhoe então nasceu um hipopótamo pigmeu na Indonésia. ok, é estranho, mas coisas estranhas acontecem na Indonésia. só lá. aqui no Brasil, não. aqui não tem terremoto, não tem vulcão, não tem furacão. por isso vamos pra frente, ô ô ô.
tá, é bem confuso. porque quando ouço hipopótamo, penso "coisa enorme". quando ouço pigmeu, penso "coisa pequena". quando ouço Indonésia, penso "olhinho puxado". mas é verdade. tem até foto. se bem que não dá pra ver os olhinhos na foto. ele tá abrindo o bocão. ou seria boquinha?
o fato é que a matéria que está no UOL se esforça no mau jornalismo. e eu saio sem saber o tamanho do bichinho. ou seria bichão? que altura e peso ele vai atingir quando adulto? que tamanho ele tem agora? que sombra ele usa pra realçar os sedutores olhinhos amendoados?
piu.
July 17 ia, ia, iavejo crescer nas seções de "últimas notícias" os títulos com verbo no futuro do pretérito. algo abominável para o jornalismo impresso, com raras e bem avaliadas exceções, parece estar se tornando habitual no online.
faz sentido. é um sentido preguiçoso, que prioriza o critério da atualidade, mas ainda assim é um sentido. se "estaria", talvez não esteja. se "teria dito", talvez não tenha dito. poupa o jornalista de uma apuração mais rigorosa e de eventuais processos judiciais. mas, convenhamos, não poupa o leitor.
vejamos alguns exemplos bem recentes. para mim, são títulos irritantes e nada estimulantes. piu.
S
Sandra Bullock teria se casado com mecânico
Jorge Pontual estaria com hepatite
Bruno Gagliasso estaria na mira dos transformistas
Hugh Grant teria tentado atropelar paparazzi
Adriane Galisteu e Roger estariam em crise
Marido de Céline Dion teria perdido US$ 350 mil
Sandy teria presenteado mãe com BMW
July 14 ponto pomposo 2, a saga continuasou uma pessoa que preza as tradições. por isso gosto do jornal O Sul, um jornal que não trai as expectativas de seus leitores. ele é sempre, todos os dias e a cada virada de página, uma fonte inesgotável de exemplos de mau jornalismo. se eu tenho um dia chato, basta comprar o jornal e tudo se resolve: lá estão os meus velhos e queridos títulos. enormes, ruins e invariavelmente pontuados. e as gargalhadas simplesmente irrompem, uma atrás da outra, e meu dia vira uma festa.
a edição de 13 de julho é simplesmente ma-ra-vi-lho-sa. não sei nem por onde começar. sabe, estas escolhas é que me matam, ter que imaginar uma escala de mais ruim, mais-mais ruim, muuuuiiiiiiito ruim, péssimo, muito péssimo, muito-muito péssimo, muuuiiiiiito mais péssimo, e por aí vamos. o céu é o limite.
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meus preferidos nesta edição (não consigo ter um só, gente) são estes:
"Pessoas condenadas por crimes hediondos, como latrocínio e seqüestro, estão conseguindo autorizações para estudar e trabalhar fora de dia e voltar à cadeira para dormir, ponto"
"Antiinflamatório Vioxx teria provocado arritmia cardíaca que levou consumidor à morte, ponto" [este é maravilhoso, porque o título mesmo está na linha de apoio: "Começa o julgamento do laboratório"]
"O futuro da tecnologia é a biometria em 3 dimensões, com maior precisão, ponto"
"Sucesso entre os brasileiros, a maior área esquiável da América do Sul adotou o português como uma de suas línguas fluentes, ponto"
"Reforçada a segurança de Lula hoje em Paris, ponto. Mas não é por risco de atentados, ponto"
"Prefeitura do Rio é obrigada pela Justiça a fornecer remédio contra impotência a um homem, ponto"
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também adoro os criativos:
"Na agitada Nova York, a onda é o personal qualquer coisa, ponto"
"Se não tropeçasse nas botinas, Grêmio estaria quase classificado, ponto"
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e tem um fantástico, todo em caixa alta, em itálico e utilizando duas fontes diferentes, em um evidente esforço para facilitar a leitura do vivente. na primeira parte, está lá:
"CORES QUENTES PARA AQUECER O"
e quase no final da página:
"INVERNO, ponto"
ai, ai. todas as noites, o mesmo ritual: eu me ajoelho e agradeço ao papai do céu por preservar tamanha fonte de inspiração para este blog patife. piu.
July 10 das três, umanão há saída para Lula.
a) se ele não sabia de nada, é um ingênuo. quem quer ser governado por um trouxa?
b) se ele sabia um pouco, é negligente. quem quer ser governado por um frouxo?
c) se ele sabia de tudo, é um aproveitador. quem quer ser governado por um mentiroso?
Lula deve ser poupado, por enquanto, para concluir seu governo. mas o PT (como o pensávamos, ou como eu o pensava: ético, justo, idealista, limpo) simplesmente acabou.
no PT, ficam os militantes:
a) ou ingênuos, que não querem encarar a dor da desilusão;
b) ou negligentes, que acham que uma parcela de corrupção é normal, afinal "isto é política";
c) ou aproveitadores, que se profissionalizaram em cargos na máquina estatal.
July 03 ponto pomposotem muita coisa ruim no jornalismo gaúcho, todos sabemos. mas poucas são tão ruins quanto os títulos com ponto final do jornal O Sul. não sei quem foi que disse que este seria um bom diferencial. aquele ponto final torna tudo muito risível, antigo, pomposo, hum... excessivamente pontuado, se é que me entendem. e eles pontuam os títulos dos colunistas!!! imagino o Ricardo Boechat vendo que seu título virou "Turbulência, ponto". "A quem interessar, ponto" é a do Ancelmo Góis deste sábado.
além do tal ponto, os títulos às vezes são imensos. o que quase nos dispensa de ler a matéria:
"Deputado Beto Albuquerque afirma que suspensão das obras em rodovias federais gaúchas é um equívoco, ponto"
"Angélica faz planos para ter mais um filho e apresentar um novo programa, ponto"
"Governador inaugura barragem e obras de ampliação do sistema de abastecimento de água em Bento Gonçalves, ponto"
e às vezes os títulos são, hum... bobos? e com ponto final ficam um pouco mais, hum... ridículos? como este:
"Hoje é o Dia do Bombeiro, ponto." (ah, ok, obrigada por avisar. e este era um título de abre de página.)
mas bom mesmo é quando eles nos brindam com duas frases no título. devidamente pontuadas, claro. pena que é só de vez em quando.
"Cruzamentos são o flagelo da defesa do Grêmio, ponto. Foram nove gols em 11 partidas na série B, ponto"
tá, eu sei que é triste. sei que bons jornalistas precisam se submeter a isso todos os dias, para garantir um salário de fome. mas, sinto muito, eu simplesmente não consigo parar de rir quando pego este jornal. é mais forte do que eu, ponto.
June 19 coisa de pobrena Folha de hoje, Monica Bergamo traz declarações da mais recente ex de Ronaldo. os trechos abaixo mostram como tudo na vida é relativo.
Apesar do assédio, Daniella Cicarelli tenta manter uma vida normal. Na noite de quarta-feira, depois de conversar com sua arquiteta, ela foi ao cabeleireiro lixar uma unha que tinha caído por ela ter batido o pé numa corrida (Daniella é tão fanática por esporte que tem mais de cem pares de tênis em casa, e está sempre com as unhas machucadas). Ela saiu de casa dirigindo o próprio carro, uma BMW preta, blindada.
A caminho do cabeleireiro, ela conta que mesmo com Ronaldo vivia "como uma pessoa normal". E ele? "Ele também é muito simples". Daniella conta que "um dia o Ronaldo queria fazer compras na Daslu, saltou na [avenida] Faria Lima e pegou um táxi. Ninguém acreditou." Compras, o Ronaldo? "É que ele nunca viaja com mala, só com uma sacolinha de mão", diz. Ronaldo tem uma filosofia: para que carregar malas e malas, se é possível viajar apenas com um cartão de crédito? "Ele brincava comigo: Daniella, mala é coisa de pobre."
faz sentido. sempre me achei anormal e complicada. agora vejo que ando fazendo as coisas erradas para me tornar mais normalzinha e simplesinha. que mania de lixar a própria unha, coisa mais anormal. piu.
June 13 atestado de ruindadeuma psicóloga colombiana está acusando o Paulo Coelho de ter copiado trechos inteiros da coluna que ela mantém no jornal El País. o que me deixa encafifada é que ela saia por aí, gritando ao mundo: "ei, ei, ei, eu também escrevo mal !!!". se fosse eu, me enfiava embaixo da cama, morta de vergonha.
June 06 quem raptou Woody Allen?gosto muito de Woody Allen. e sempre penso que mesmo o pior Woody Allen ainda é um filme acima da média. Melinda e Melinda, porém, é um filme frustrante e lamentável. o humor não faz rir, a tragédia é patética. o elenco é péssimo, sem química e sem empatia. a história é boba e óbvia. o roteiro é amador. não há o menor vestígio da genialidade de Woody Allen neste filme. quer dizer, a musiquinha da abertura é a cara dele. e só.
Rahda Mitchell constrói uma Melinda que fuma sem parar, bebe sem parar e treme sem parar, e nesta superfície nervosa está todo o conteúdo dramático de Melinda. Will Ferrer faz um alter-ego do diretor, mas substitui a fragilidade e a sagacidade de Allen por um comportamento raso e estúpido. típico caso em que o clone é infinitamente inferior ao original.
mas o pior mesmo é a moral da história que recebemos de brinde no final, ao melhor estilo Paulo Coelho. quase uma ofensa à inteligência do público. saí com a impressão de que Woody Allen estava se livrando de uma exigência de contrato, do tipo "um filme por ano". como ainda guardo na memória filmes brilhantes dele, fico esperando pra ver Match Point.
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